O vereador de João Pessoa, Guguinha Moov Jampa (PSD), pediu que Francinaldo Bandeira se afaste da presidência do Via Folia após a polêmica envolvendo declarações sobre a contratação de artistas por posicionamento político. Em entrevista ao Portal Arapuan e à Arapuan FM, nesta terça-feira (27), Guguinha classificou a fala como lamentável e defendeu respeito à liberdade política dos artistas.
A controvérsia começou após supostas declarações de Francinaldo, que se identifica como apoiador do bolsonarismo, sobre não procurar artistas que se posicionaram contra esse movimento para contratar em eventos particulares. A fala repercutiu como uma possível restrição à contratação de artistas por suas posições políticas.
“Quando ele disse que não ia mais contratar nenhum artista que votou no presidente Lula, eu acho que foi uma fala desnecessária. Lamento muito e, por isso, pedi para que ele se afastasse do Via Folia”, afirmou Guguinha.
O parlamentar Guguinha Moov Jampa ressaltou que a associação recebe recursos públicos municipais, estaduais e federais e que, por isso, deve respeitar os artistas independentemente de suas posições políticas.
“A eleição passou, agora é pensar à frente e pensar principalmente também na cultura e nos artistas. Acho que a gente tem que respeitar a posição de cada um”,declarou.
Guguinha cita reação de representantes de blocos
Durante a entrevista, Guguinha afirmou que conversou com o presidente Fuba e com representantes das Virgens. Segundo ele, os interlocutores disseram não concordar com a posição atribuída a Francinaldo.
Guguinha também relatou que Fuba teria ameaçado retirar as Muriçocas de Miramar da associação caso Francinaldo não renunciasse ao cargo.
Para Guguinha, a polarização política não deve interferir nas contratações do setor cultural. Ele citou o cantor Netinho, que, segundo ele, já se apresentou no Via Folia e manifestava apoio ao bolsonarismo, sem sofrer perseguição por isso.
“Se cada bolsonarista pensar dessa forma, não vão ganhar dinheiro, não, viu? Porque só vão colocar sertanejo para tocar”,afirmou.
Francinaldo diz que falou como empresário
Em entrevista sobre a repercussão, Francinaldo Bandeira negou que tenha anunciado uma proibição de contratar artistas ligados à esquerda nos eventos do Via Folia. Ele afirmou que suas declarações foram feitas como empresário e produtor de eventos, e não na condição de presidente da associação.
“Então, eu me posicionei como pessoa, Francinaldo, e não como presidente do Via Folia”, declarou.
Francinaldo explicou que, como empresário, não pretende contratar para eventos próprios artistas que se declarem contrários ao bolsonarismo. No entanto, ressaltou que não cabe a ele escolher sozinho as atrações dos blocos ligados à associação.
“Claro, totalmente. Não sou eu que decido isso. Fuba vai colocar quem ele quiser. Se Fuba quiser colocar Caetano Veloso, vai colocar. Se Fuba quiser colocar Ivete Sangalo, vai colocar”, afirmou, ao ser questionado sobre a possibilidade de artistas que apoiaram Lula se apresentarem no evento.
O presidente do Via Folia também disse ter amigos de esquerda e afirmou que nunca retirou de outras pessoas o direito de se posicionar politicamente.
Entenda a polêmica
A discussão ganhou repercussão após declarações de Francinaldo Bandeira sobre sua decisão de não procurar artistas que se posicionaram contra o bolsonarismo para contratar em eventos particulares.
A fala provocou críticas de Guguinha Moov Jampa, que considerou inadequada a posição de alguém à frente de uma associação que recebe recursos públicos. Ele pediu o afastamento de Francinaldo e defendeu que a política não interfira nas oportunidades de trabalho dos artistas.
Francinaldo, por sua vez, afirmou que falou como empresário e produtor, e não como presidente do Via Folia. Ele sustentou que a escolha das atrações dos blocos cabe aos respectivos responsáveis e garantiu que artistas que apoiam o presidente Lula podem ser contratados para o evento.
A polêmica ocorre após o segundo turno das eleições presidenciais, realizado no domingo (25), e reacende o debate sobre os efeitos da polarização política no setor cultural.
