A Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) apresentou nesta terça-feira (25) a primeira proposta de reajuste aos bancários durante as negociações da Campanha Nacional 2026. O texto foi rejeitado integralmente pelo Comando Nacional dos Bancários, que classificou a proposta como insuficiente e apontou perda real de salários e direitos.
A proposta dos bancos prevê reajuste de 2,06% sobre salários e demais verbas, percentual que, segundo o comando dos trabalhadores, representa perda real de 1,99%.
Além do reajuste, a Fenaban propôs mudanças em benefícios e cláusulas da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT). Entre os pontos apresentados estão:
- Congelamento dos valores de auxílio-creche, babá, para filhos com deficiência e teletrabalho;
- Fim da indenização por morte;
- Fim do auxílio-funeral;
- Retirada da multa em caso de descumprimento da Convenção Coletiva de Trabalho.
A coordenadora do Comando Nacional dos Bancários, Juvandia Moreira, criticou a proposta e afirmou que o percentual apresentado está distante dos resultados financeiros registrados pelo setor bancário.
“O reajuste proposto é vergonhoso. Na semana anterior, a Fenaban calculou o custo total da minuta e apontou que o lucro do setor viraria prejuízo. Em contrapartida, essa proposta atual custa apenas 0,6% do lucro do setor em 2025, considerando salário, PLR e tickets”, afirmou.
Comando cita resultados de outras categorias
Juvandia também comparou o índice apresentado pela Fenaban com os reajustes negociados por outras categorias profissionais em 2026.
Segundo ela, dos 10.126 reajustes firmados neste ano, 87,1% resultaram em ganho real, enquanto apenas 3,5% ficaram abaixo da inflação.
Na avaliação da dirigente, caso a proposta da Fenaban seja mantida, os bancários ficariam entre as categorias com os 21 piores resultados reais do ano.
“Estaríamos entre os 0,2% piores reajustes do ano. Em outras palavras, 10.107 reajustes de outras categorias, com bem menos lucro e rentabilidade, estariam acima da proposta dos bancos”, afirmou.
Crítica à retirada de multa
Outro ponto que provocou reação do Comando Nacional foi a proposta de retirada da multa pelo descumprimento de cláusulas da CCT.
Para Juvandia, a mudança poderia enfraquecer o cumprimento dos acordos firmados entre trabalhadores e instituições financeiras.
“Retirar é um recado de que se pode fazer tudo o que quiser. O que é negociado aqui tem que ser cumprido”, declarou.
O Comando Nacional dos Bancários defende a apresentação de uma nova proposta pela Fenaban e mantém a mobilização durante as negociações da Campanha Nacional 2026.

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