O presidente do Sindicato dos Condutores e Empregados em Empresas de Transporte de Combustíveis e Produtos Perigosos e Derivados de Petróleo na Paraíba (Sindconpetro), Hermerson Caminhoneiro, em entrevista ao programa Arapuan Verdade, nesta quinta-feira (19), alertou que a categoria em todo o país já se mobiliza para possíveis paralisações contra a escalada no preço dos combustíveis, principalmente do diesel, principal fonte de abastecimento do transporte rodoviário no país
Segundo ele, a preocupação da categoria com os recentes aumentos registrados nos últimos dias já impacta o trabalho de milhares de caminhoneiros com influência direta não só no orçamentos dos trabalhadores, mais também pode acarretar em escaladas de reajustes em toda a cadeia do setor, além do risco de desabastecimento prejudicando o sistema rodoviário de cargas.
“A paralisação deve ocorrer no início de abril. Uma greve dessa magnitude não pode ser deflagrada do dia para a noite, por ser uma grande responsabilidade, já que abala toda a economia do país”, destacou.
Os grupos que representam caminhoneiros de diferentes regiões do Brasil decidiram em reunião na última quarta-feira (18) que irão aguardar a publicação do instrumento normativo prometido pelo governo federal antes de decretar uma possível greve.
De acordo com Hermerson, além das articulações em torno do avanço de respostas com o Executivo, a categoria também reivindica o pagamento do piso do frete rodoviário aos motoristas.
Há risco de que a possível paralisação de 2026 seja igual ou maior à de 2018. A expectativa é que a greve envolva tanto os caminhoneiros autônomos, como também os que são contratados por empresas de transporte, além de motoristas de aplicativo.
Para Hermerson, o cenário pode impactar também no aumento dos custos logísticos decorrentes de desvios de rotas marítimas e do encarecimento do frete “os caminhoneiros dependem diretamente da estabilidade no preço dos combustíveis até para a própria margem de retorno dos custos de operacionalizar o transporte de cargas”, destacou reforçando “o cenário é ainda mais preocupante uma vez que o diesel representa uma das maiores parcelas do custo operacional dos caminhoneiros e há uma alta expressiva no combustível, os caminhoneiros precisam renegociar fretes, as empresas querem rever contratos e as tabelas de frete oscilam, trazendo ainda mais riscos de prejuízos aos trabalhadores que enfrentam longas jornadas nas rodovias.”
“Defendemos que haja, por parte do governo, o anúncio de medidas para que esses aumentos não escalem ainda mais, sufocando a categoria de trabalhadores autonomos e demais trabalhadores rodoviários que já contam com uma margem de lucro extremamente reduzida. Nossa categoria é responsável por manter o abastecimento das cidades e precisamos que essas medidas sejam anunciadas a tempo de amenizar os impactos e prejuízos à economia e aos caminhoneiros”, explicou Hermerson.
GUERRA
A escalada das tensões no Oriente Médio com a guerra dos Estados Unidos contra o Irã impulsionou a instabilidade no Estreito de Ormuz, rota marítima estratégica por onde passam cerca de 20% do petróleo comercializado no mundo, de acordo com a U.S. Energy Information Administration (EIA).
PISO
O ministro dos Transportes, Renan Filho, já declarou que o governo federal prepara uma nova regulamentação para o cumprimento do piso mínimo do frete rodoviário, criado depois da greve da categoria em 2018.
DIESEL
De acordo com os dados são da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis, o preço médio do litro do combustível nos postos em 19 capitais foi de R$ 6,10 na semana de 1 a 7 de março e subiu para R$ 6,58 na semana de 8 a 14 de março. O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) baixou em 12 de março duas medidas para reduzir o impacto da alta do petróleo por causa da guerra dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã com impacto de R$ 30 bilhões até 31 de dezembro de 2026. Após 24h esse anúncio, a Petrobras informou o aumento no preço desse combustível em 11,6%, elevando em R$ 0,38 o litro do diesel A para as distribuidoras.

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